
Agente diz que cresce, ou finge que cresce...
Simulamos sonhos não realizados, falamos coisas sem sentidos só para não dizer que ficamos quietos. Achamos que podemos conquistar o mundo, mas ao mesmo tempo nos perdemos em meio à bagunça do nosso quarto.
Erramos em função de nosso orgulho e embora no fundo soubéssemos disso nunca aceitamos dar o braço a torcer, descobrimos o quanto bons hábitos tornam a vida melhor e não mais chata.
Descobrimos que crescemos mais também que não era totalmente bom crescer.
Que bancar o adolescente rebelde não é tão bom assim, que as coisas boas da vida estão dentro da maturidade de cada um, muitas vezes desproporcional aos seus anos de experiência e de vida.
Descobrimos atalhos para subir a montanha ao contrário do tempo que queríamos estar no topo dela não importava como...
Descobrimos que a nostalgia nos traz na mente e no peito um aperto estranho uma saudade do tempo que passou e foi bem vivido, do tempo em que pouca coisa era muito, que boneca era coisa de menina de 13 anos, que tênis de luzinha era o máximo, Sandy e Júnior e Maria Chiquinha era um clássico. Que crianças queriam e gostavam de ser crianças, que maquiagem era coisa de adulto, que menino e menina jogavam bola na rua, que ganhar uma bicicleta era mérito de quem passava de ano na escola.
Que ainda dizíamos o que eu quero ser quando crescer...
Nem faz tanto tempo assim, mas quando paramos para pensar parece fazer séculos.
(Alessandra Almeida)
Este texto vai para uma pessoa que pertenceu a uma parte muito importante da minha infância e que até hoje me chama de teimosa, mas que acima de tudo mora no meu coração.
Netinha.