quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Abismo



Agora as feridas de um vento penetrante cortam a minha pele e sinto novamente vontade de brincar com esse frio, que atravessa minha face e leva pra outro lugar;
E novamente olho para além desse abismo e te vejo do outro lado e isso me parece ser tão perto, embora não seja;
E às vezes ser muito consequente não me convém, embora eu sempre queira ser;
E às vezes eu vivo contigo as palavras de um livro novo do qual eu nunca li;
E às vezes acordo não querendo sentir tua falta mais aí já é tarde, lá vem o vento de novo, trazendo as lembranças que você me causou de forma tão gentil;
 E quando me vejo estou fugindo desta brasa ardente presa aos meus pés, desta corda bamba, desta euforia perigosa, deste abismo entre nós; E quando me dou conta é pesado demais para que eu possa  leva-lo e quando percebo tenho cuidar, caso contrário, também irei cair. 
E finalmente quando tudo parece calmo e silencioso surge à lembrança de alguma coisa que teus olhos me disseram timidamente e meio sem querer...
 E quando percebo já é tarde demais e a culpa já me toma dentro das tuas lembranças.


(Alessandra Almeida)

Um comentário:

Hudson Rodrigues disse...
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